OS GUARDIÕES DA ESTABILIDADE
O Pivô Central e os "Novos" Ligamentos do Joelho
LESÕESJOELHO
Dr. Jan Sprey | CRM-SP 141027
5/8/20263 min read


Na postagem anterior, vimos que os ossos do joelho não se encaixam perfeitamente. Se dependêssemos apenas da anatomia óssea, nosso joelho "desmontaria" ao menor sinal de carga. O que impede que isso aconteça é uma rede robusta de estabilizadores estáticos: os ligamentos.
Neste segundo artigo da série, vamos entender como funciona o pivô central do joelho e por que a descoberta de novas estruturas mudou a forma como os cirurgiões tratam as lesões esportivas.
O Pivô Central: LCA e LCP


Localizados bem no centro da articulação, os ligamentos cruzados são os protagonistas da estabilidade. Eles recebem esse nome porque se cruzam em forma de "X".
Ligamento Cruzado Anterior (LCA): É a estrela da traumatologia esportiva. O LCA é o principal responsável por impedir que a tíbia deslize para a frente do fêmur (translação anterior). Ele fornece cerca de 85% dessa restrição. Além disso, ajuda a controlar a rotação do joelho.
Ligamento Cruzado Posterior (LCP): É o ligamento mais forte do joelho. Sua função principal é impedir que a tíbia deslize para trás, sendo especialmente exigido em ângulos de flexão mais altos.
Curiosidade: Ambos os ligamentos possuem mecanorreceptores. Isso significa que eles não são apenas "cordas" mecânicas, mas também enviam informações ao cérebro sobre a posição do seu joelho (propriocepção).
O Complexo Medial
A Proteção contra o Valgo


A face interna do joelho é protegida por um sistema que trabalha em sinergia para evitar que o joelho "caia para dentro" (estresse em valgo).
Ligamento Colateral Medial (LCM): O guardião principal contra o valgo.
Ligamento Oblíquo Anterior (AOL): Esta é uma peça chave recentemente descrita em detalhes. O AOL posiciona-se à frente do LCM e atua em sinergia com ele para controlar a rotação externa da tíbia, especialmente quando o joelho está estendido.
O Complexo Lateral:
A "Redescoberta" que Mudou o Jogo


O lado de fora do joelho é protegido pelo Complexo Colateral Lateral, e é aqui que a ciência evoluiu drasticamente nos últimos anos.
Ligamento Colateral Lateral (LCL): Uma estrutura em forma de cordão que limita o estresse em varo (quando o joelho vai para fora).
Ligamento Anterolateral (LAL): A "redescoberta" deste ligamento mudou a cirurgia de joelho moderna. Presente na grande maioria das pessoas, ele conecta o fêmur à tíbia anterolateral.
Por que ele é importante? O LAL é o principal restritor da rotação interna da tíbia. Ele funciona como o "cinto de segurança" rotacional do LCA. Muitas vezes, quando um atleta opera o LCA e o joelho continua instável, a culpa pode ser de uma lesão não tratada no LAL.
A Interconexão:
Ninguém Trabalha Sozinho


A estabilidade do joelho é um conceito coletivo. Quando um atleta rompe o LCA, por exemplo, a carga sobre os meniscos e outros ligamentos aumenta instantaneamente. É um efeito dominó: a falha de uma estrutura sobrecarrega todo o sistema, predispondo o joelho a lesões secundárias e ao desgaste precoce.
Os ligamentos são as amarras que mantêm a estrutura unida, mas eles são passivos. Para que o movimento aconteça com potência e proteção real, precisamos dos "motores" do joelho.
No próximo post, vamos falar sobre os Estabilizadores Dinâmicos: o poderoso mecanismo extensor e a musculatura que protege seus ligamentos.
[Clique aqui para ler o Post 3: O Motor do Atleta - Músculos e Estabilidade Dinâmica]

Navegação
Ortopedia e Traumatologia Medicina Esportiva
Contato
Dr. Jan Willem C. Sprey





© 2025. All rights reserved.
CRM-SP 141027 | RQE 59473 | RQE 44306
