Fratura por Estresse
Entenda, Previna e Trate a Dor do Atleta
10/4/20254 min read


A dor na perna é uma queixa comum entre atletas, especialmente corredores e praticantes de esportes de alto impacto como basquete e futebol. Nesses casos, a fratura por estresse é uma das principais causas.
O que exatamente é uma fratura por estresse? É um tipo de lesão por sobrecarga que acontece quando o osso não consegue se recuperar adequadamente devido ao estresse contínuo e repetitivo do exercício físico. Esse estresse aumenta os mecanismos de remodelação óssea, mas o impacto cíclico faz com que as células que reabsorvem o tecido ósseo trabalhem mais rápido do que as células que formam novo tecido, levando a um desequilíbrio.
Classificação da Fratura na Tíbia e Fíbula
A fratura por estresse é classificada em alto e baixo risco, dependendo de sua localização no osso e das suas características.
1. Tíbia: a mais frequente
A tíbia é a localização mais frequente.
Fraturas de Alto Risco: Ocorrem nas zonas de tensão do osso, onde é pressionado durante a atividade física. Um exemplo é a zona antero-lateral da tíbia. Por ser menos vascularizada, a cura é mais difícil. Essas fraturas são mais propensas a evoluir para fraturas completas e, às vezes, exigem cirurgia e longos períodos de repouso.
Fraturas de Baixo Risco: Ocorrem nas zonas de compressão, como a região póstero-medial da tíbia. Essas áreas são mais protegidas e vascularizadas, o que facilita uma recuperação mais rápida. O tratamento tradicional costuma ser eficaz na maioria das vezes.
2. Fíbula: menos comum
A fratura por estresse da fíbula é menos comum. A dor geralmente se localiza na parte externa da perna.


Onde e Quem é Afetado?
As fraturas por estresse são lesões extremamente comuns na Medicina Esportiva, chegando a representar 10% de todas as lesões no esporte.
Localização: Ocorrem, em sua grande maioria, nos membros inferiores. A tíbia (osso da perna) é o osso mais frequente e pode ser responsável por mais da metade dos casos. A fíbula, ossos do pé e fêmur também são frequentemente afetados. Nos membros superiores, a incidência é baixa, mas pode ocorrer em esportes como ginástica olímpica, arremesso de peso e tênis.
População de Risco: Indivíduos jovens, principalmente na faixa dos 15 aos 24 anos, apresentam a maior concentração de casos. Estima-se que cerca de 1% de todos os atletas universitários e escolares apresentam pelo menos uma fratura por estresse.
Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
Sintomas
A principal diferença para uma fratura comum é a ausência de um trauma isolado que justifique a lesão. É uma lesão microtraumática. Os sintomas mais comuns na tíbia são:
Dor progressiva na parte interna da perna.
Piora com a atividade e melhora com o repouso.
Pode ser superficial no início, mas tornar-se intensa e limitante.
Na fíbula, a dor também piora com a atividade física, mas se localiza na parte externa da perna. Se não tratadas, as pequenas rachaduras podem evoluir para fraturas completas.
Diagnóstico
O diagnóstico é confirmado por exames de imagem. A ressonância magnética ou tomografia podem detectar as fraturas antes que elas sejam visíveis em radiografias.
Tratamento
O tratamento inicial e essencial é o repouso e, em alguns casos, o uso de muletas. Além disso, a fisioterapia é fundamental para:
Fortalecer os músculos ao redor da tíbia.
Melhorar o equilíbrio biomecânico.
Prevenção e Fatores de Risco: Uma Abordagem Multifatorial
Fraturas por estresse não podem ser vistas apenas como consequência do excesso de treino; elas são um evento multifatorial onde diversos elementos contribuem simultaneamente. O passo inicial no tratamento é identificar e modificar os fatores de risco.
Fatores de Risco Chave:
Status Nutricional e Metabólico:
Aporte calórico insuficiente (Déficit Energético Relativo no Esporte - RED-S) é um dos principais fatores de risco, causando alterações metabólicas, hormonais e fisiológicas.
Dietas com baixa ingestão de carboidratos podem ser tão prejudiciais à saúde óssea quanto dietas insuficientes em calorias.
A suplementação de vitamina D adequada é importante para a prevenção.
Biomecânica e Treinamento:
Correr com calçados inadequados ou em superfícies irregulares.
Erros biomecânicos do gesto esportivo.
Rotina de treino (volume, intensidade e descanso).
Cadência da passada: Passadas mais curtas e rápidas estão associadas a um menor risco de lesões. O risco de fratura por estresse cai 5% para cada 1 passo/min de aumento na cadência.
Outras Considerações:
Alterações hormonais/menstruais.
Composição corporal (massa muscular e gordura corporal).
Estratégias de Prevenção:
A prevenção dessas fraturas é vital para a saúde do atleta.
Calçados: Usar calçados adequados.
Treinamento: Ajustar a intensidade dos treinamentos e incluir treinamento de força. É recomendado que todo corredor faça treinamento de força 2 a 3 vezes por semana, periodizando entre cargas mais altas, potência/explosão e pliometria. O treinamento de corrida, por si só, não influencia positivamente a saúde óssea de forma significativa.
Fortalecimento: Fortalecer os músculos das pernas e do core.
A detecção precoce e um tratamento adequado são essenciais para que os atletas possam retornar às suas atividades com segurança e evitar lesões mais graves. Se sentir dor progressiva na perna que piora com a atividade, procure um profissional de saúde para avaliação.
Dr. Jan Sprey
Médico do Esporte - RQE 59473
Ortopedia e Traumatologia - RQE 44306
CRM-SP 141027

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